Molusco que possui olhos funcionais formados por pedra foi identificado

Cientistas norte-americanos estudaram a estrutura ocular dos Quítons – espécie de molusco cujos olhos são feitos a partir de um tipo de rocha.

Os Quítons habitam a Terra há cerca de 500 milhões de anos; são seres vivos de aproximadamente 7,5 centímetros e possuem centenas de estruturas semelhantes a um olho padrão, mas suas lentes são elaboradas com aragonita – um tipo de rocha.

Os pesquisadores já conheciam esta característica da espécie de molusco, entretanto não possuíam evidências a respeito da funcionalidade da estrutura. A dúvida residia no fato de os olhos servirem apenas para perceber variações luminosas ou se conseguiam, de fato, identificar objetos.

Molusco que possui olhos funcionais formados por pedra foi identificado

Os olhos da espécie são de cristal de carbonato de cálcio e os pesquisadores os consideram uma vantagem evolutiva que permitiu melhores mecanismos de defesa contra eventuais predadores.

O estudo foi realizado através de testes feitos colocando os moluscos em contato com um disco preto e uma película cinza. Os animais não responderam ao estímulo cinza, mas apresentaram reações diante do disco negro.

Para os cientistas da Universidade da Califórnia, os resultados da experiência foram surpreendentes, visto que grande parte das estruturas oculares é formada por células com proteínas e quitina. Apesar de poderem identificar a presença de objetos, os cientistas acreditam que existam limitações quanto à nitidez das imagens. A pesquisa foi publicada na revista Current Biology.

Molusco que possui olhos funcionais formados por pedra foi identificado

Segundo Michael Land – pesquisador da Universidade de Sussex – que não esteve envolvido no estudo, os olhos nos quítons surgiram há aproximadamente 25 milhões de anos e ainda hoje representam uma anomalia na evolução da visão.

A pesquisa é de autoria do cientista Daniel Speiser. Ele, em parceria com o professor Sönke Johnsen, da Universidade de Duke, descobriram a espécie no oeste da Índia. Seu nome científico é Acanthopleura granulata.

[Jornal Ciência]